sexta-feira, 31 de agosto de 2012

«Igreja precisa de seguidores radicais»

António Couto, bispo de Lamego e presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização
A entrega total de São Paulo ao anúncio do Evangelho serviu de mote à intervenção do bispo de Lamego, no Curso de Missiologia que está a decorrer em Fátima. O prelado afirma que não é preciso novidade na evangelização, mas sim fidelidade a Cristo.

O presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização e bispo de Lamego, António Couto, foi um dos oradores no Curso de Missiologia, que termina sábado, 1 de setembro, no Seminário da Consolata. Falou de São Paulo como modelo de missionário e, no final, pediu mais seguidores radicais de Jesus Cristo.

FÁTIMA MISSIONÁRIA- Que imagem de São Paulo transmitiu aos participantes do curso?
António Couto- Tentei mostrar a figura de Paulo como um seguidor radical de Jesus Cristo. Falei essencialmente da metodologia missionária que desenvolveu, muito personalizada, a tempo inteiro, com total dedicação. Paulo nunca fez nada, nem enquanto judeu, nem depois como cristão quando se fez seguidor de Cristo, a menos de cem por cento. Como apóstolo missionário evangelizador cristão, quando levava Cristo a alguém, empenhava-se nisso a cem por cento. Aliás, ele fala talvez muito mais com a sua vida do que com as palavras, porque quem segue Cristo a cem por cento nem precisa de dizer palavras.

FM- Fazem falta à Igreja Católica pessoas mais empenhadas, como foi São Paulo?
AC- A Igreja precisa de seguidores radicais de Jesus Cristo. Foi o que Paulo foi. Alguém que siga Jesus Cristo de perto e não queira inventar e dizer coisas fora daquilo que é Cristo e o seu Evangelho. Paulo inovou completamente sem precisar de inovar, porque apenas imitou Jesus Cristo. Foi até hoje o maior missionário de todos os tempos.

FM- O caminho da nova evangelização passa por ai?
AC- Claro. Não tanto por querermos inovar, à procura de expressões novas, de dar resposta a esta geração de hoje, que é diferente, mas pela nossa fidelidade a Jesus Cristo. Ou seja, em vez de novidade, fidelidade. Se nós vivermos como Cristo, ao estilo de Cristo, seguramente que o mundo mudará, porque a nossa vida muda. Mudando a nossa vida, mudamos a vida dos outros. Se a nossa vida não mudar, escusamos de pensar em mudar a vida dos outros.

FM- Este ano do Curso de Missiologia registou um aumento de participação de leigos. É um bom indicador?
AC- É sempre bom que os leigos percebam que não são de segunda, em relação ao resto da Igreja. Os leigos são extremamente importantes e onde não houver leigos, a Igreja não está suficientemente implantada. Porque o leigo é aquele que leva o Evangelho ao coração do mundo. Quem é que entra nas fábricas, quem é que entra nas escolas, nas casas, nos cafés? São os leigos. Os leigos estão no coração do mundo e o Evangelho tem que chegar ao coração do mundo. Nós temos que nos rodear de muitos e bons cooperadores, como fez São Paulo. Ele podia pouco sozinho, mas se for uma rede de muita gente, será muito mais fácil levar mais longe o Evangelho.

FM- Que papel podem ter os sacerdotes para chamar mais leigos à missão da Igreja?
AC- O papel do sacerdote será sempre importantíssimo. Onde houver um sacerdote motivado e convicto, é muito mais fácil motivar as pessoas. Onde houver um sacerdote desmotivado ou apagado, as coisas correrão com muito mais dificuldade.

FM- As constantes mudanças sociais e económicas levantam novos desafios à evangelização. Como vê o futuro das missões em Portugal, na Europa e no resto do mundo?
AC
- É necessário perceber, de uma vez por todas, que a missionação já não se faz em territórios. Isto é, não se faz só na África, na América Latina, ou na Ásia, que eram os antigos territórios de missão. Hoje, sabe-se que não se evangelizam territórios, evangelizam-se pessoas. E as pessoas precisam do Evangelho em todo o lado. Nós temos que ir ao encontro das pessoas e levar-lhes as sementes do Evangelho. A evangelização hoje faz-se onde houver pessoas.

FM- A falta de vocações pode afetar mais os institutos missionários ou as dioceses?
AC
- Penso que é indiferente. Onde houver gente empenhada e convicta em servir Jesus Cristo, haverá sempre seguidores. Quando nós adormecermos à sombra da bananeira, aí não temos seguidores. O inquérito recente sobre a identidade religiosa desenvolvido pela Universidade Católica mostra bem que o padre se for menos funcionário e mais missionário, terá muito mais seguidores. As pessoas querem o padre não tanto como um fornecedor de bens e serviços, mas com espiritualidade, com vida interior, ungido por Deus e que passe Deus.

Francisco Pedro in www.fatimamissionaria.pt

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Filme «Dos homens e dos Deuses» impressiona alunos do Curso de Missiologia


O prestigiado The New York Times definiu-o numa frase: «Talvez o melhor filme de sempre sobre o compromisso cristão». A película relata o martírio de sete monges, assassinados por um grupo terrorista.

Baseado numa história real, o filme “Dos Homens e dos Deuses” (2010), do realizador francês Xavier Beauvois, vencedor de vários prémios entre os quais o do Festival de Cannes, conta a história de uma pequena comunidade de monges contemplativos (cistercences) do mosteiro de Tibhirine (Argelia) que sofreu em maio de 1996 a violência do martírio por parte de um grupo terrorista islâmico que os sequestrou e posteriormente os assassinou. Foi o martírio de sete monges dessa comunidade a juntar à de muitos milhares de tantos outros religiosos, missionários e homens de boa vontade de ontem, de hoje e de sempre.

O impacto do filme nos participantes do Curso de Missiologia, que está a decorrer em Fátima, foi grande. O contexto era propício: foi passado na noite do dia (29 de agosto) em que D. António Couto, bispo de Lamego, apresentou o tema «São Paulo como modelo de missionário», também ele mártir da fé. E no mesmo dia em que a liturgia da Igreja celebrava o martírio de São João Batista.

No final, Rosa Maria, das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, disse que o que mais a marcou foi o compromisso dos monges trapistas para com aquele povo: «diante de tantos perigos, eles optaram por ficar porque aquele era o seu povo, e não podiam abandoná-los. Eles estavam ali pelo Evangelho e não iriam fugir. Foi um testemunho até ao martírio», acrescentou. «O discernimento comum, o diálogo que tinham uns com os outros e a oração» foram, para a religiosa, os trunfos da fortaleza destes monges.

Maria da Anunciação, leiga pertecente à Liga Intensificadora para a Ação Missionária (LIAM), destacou «a persistência dos monges, o sacrifício e, sobretudo, o amor e a fé por Cristo». «Saber que se dá a vida por alguém - também nos dias de hoje e não apenas nos tempos de Paulo – sem qualquer contrapartida, mas sim por amor, é extraordinário. O filme é lindo!», desabafou.

Para o psicólogo Albino Camarinha, que faz acompanhamento vocacional na comunidade dos Missionários da Consolata, em Palmeira, Braga, impressiona, especialmente, «a inter-relação que aqueles monges trapistas tinham com o povo, com os rebeles e com o governo. E ver que a decisão deles foi ficar – tal como Paulo na sua missionação - com os mais fracos, com o povo, rejeitando claramente as pressões do governo e mesmo dos rebeldes».

Henri Teissier, arcebispo emérito de Argel (Argélia) foi testemunho dos acontecimentos narrados neste filme e vai estar no próximo mês de setembro em Portugal, a convite dos Missionários da Consolata, para algumas conferências. Será um dos intervenientes nas Jornadas Missionárias, a realizar em Fátima, onde apresentará o tema “Missão e Profecia”. O Curso de Missiologia, que termina sábado, 1 de setembro, é uma ação de formação missionária que decorre no Seminário da Consolata, em Fátima.

Albino Brás

Publicado aqui: http://consolatajovem.blogspot.com/2012/08/filme-dos-homens-e-dos-deuses.html#ixzz25EyCYBWy

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

«A missão é ir e vir»

Curso de Missiologia prepara leigos, estudantes e religiosos para as missões. A FÁTIMA MISSIONÁRIA foi ouvir os participantes para saber o que motivou a sua inscrição e o que esperam da ação de formação.

Estudantes, religiosos e leigos estão juntos em Fátima no Curso de Missiologia. Uns já tiveram uma experiência missionária e procuram aprofundar conhecimentos através da formação para partir de novo. Outros fizeram a sua inscrição porque dentro de pouco tempo vão atravessar a fronteira para entrar em contacto com outros povos e com uma cultura diferente. É o caso de Maria Campos e Adelino Serra.

«Estou a preparar-me para partir, daí minha presença aqui», explica Maria Campos, da congregação Escravas da Santíssima Eucaristia da Mãe de Deus. A religiosa, 40 anos, pretende adquirir «um bocadinho mais de formação teológica» e está a achar o curso «interessante sobretudo no fundamento histórico da missão e também a nível cultural». Por isso, destaca a «importância da inculturação do missionário que parte» e de como é essencial que este se integre na «cultura para poder cumprir a sua missão». Partirá em novembro para Timor-Leste naquela que será a sua primeira experiência missionária além-fronteiras.

Tal como a Irmã Maria, também Adelino Serra, membro do grupo missionário da diocese Leiria-Fátima Ondjoyetu, se prepara para integrar uma missão como leigo, fora de Portugal. Natural de Amor, Leiria, já teve diversas experiências evangelizadoras no Alentejo e no próximo ano partirá para Angola. O reformado, de 68 anos, refere que a formação ministrada no curso é «muito oportuna», porque «ninguém sabe tudo».

Ao contrário de Maria Campos e Adelino Serra, João Iela estreou-se nas missões fora das fronteiras portuguesas há dois anos, em Minas Gerais, Brasil. Como gostou da experiência espera partir de novo. Inscreveu-se no curso de missiologia por considerar que «abre horizontes e ajuda a perceber melhor a vida cristã e, sobretudo, a perceber Bíblia». Licenciado em linguística e atualmente a fazer mestrado em ciências da educação, o estudante, de 27 anos, membro do grupo Jovens Sem Fronteiras, é natural da Guiné-Bissau.

«A missão é ir e vir / a missão é raça e cor», cantam os leigos missionários da Consolata no CD «Entre Povos». Palavras que retratam a missão, o espírito e a diversidade de participantes que o Curso de Missiologia reúne ao longo desta semana nas instalações dos Missionários da Consolata, em Fátima. A metodologia usada no curso contempla conferências, trabalhos de grupo, debates, momentos de convívio, e, entre outros, testemunhos missionários.

Francisco Pedro in www.fatimamissionaria.pt

«Laicado sente-se parte ativa da Igreja»

 A forte participação de leigos no Curso de Missiologia, que decorre em Fátima, é vista como um sinal de que o laicado está a redescobrir a riqueza do batismo e a sentir a dimensão missionária da Igreja.

O esforço dos Institutos Religiosos para tornar visível o rosto missionário da Igreja parece estar a dar frutos. Essa é a conclusão a que chega o presidente dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG), o padre Alberto Silva, perante o índice de participação de leigos no Curso de Missiologia, que está a decorrer no Seminário dos Missionários da Consolata, em Fátima, até sábado, 1 de setembro.

«A fé aumenta-se e gera vida quando se dá». Neste sentido, a adesão de leigos à ação de formação teológica, é sinal de que «o laicado se sente parte ativa da Igreja e um indício que o batismo impele a ir mais além», disse o sacerdote à FÁTIMA MISSIONÁRIA, formulando o desejo que este dinamismo se estenda às celebrações do Ano da Fé, dos 50 anos do Concílio e ao Sínodo dos Bispos.

«Devemos todos mobilizar-nos e partilhar o grande tesouro que temos nas mãos, reavivando o dom que Deus nos deu. É preciso um novo ‘sim’ a Deus e uma evangelização com novos evangelizadores», adiantou o presidente do IMAG, numa referência à perda de valores, sobretudo no espaço europeu.

Segundo Alberto Silva, ao longo dos anos, a Europa foi construindo um mundo centrado no Homem, em que Deus passou a ser considerado como «um concorrente». Resultado: «a Igreja ficou muito individual e intimista». Agora, é urgente uma «renovação da fé», sobretudo nas camadas mais jovens ou nas comunidades migrantes. «A situação difícil atual não é só uma crise económica, é também uma crise de valores», ou seja, uma evidência de que «quando Deus está fora do nosso projeto, ele está falido», sublinhou o sacerdote.

O curso, promovido em conjunto pelo IMAG e as Obras Missionária Pontifícias, conta com 68 inscritos, sendo 46 do sexo feminino e 38 leigos. Ao longo desta semana, os participantes vão aprender ou reforçar os conhecimentos teológicos da missão, através de comunicações e testemunhos elaborados com base na Bíblia, história, espiritualidade e metodologia.

Francisco Pedro in www.fatimamissionaria.pt

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Curso de Missiologia atrai mulheres e leigos

A ação de formação que começou esta segunda-feira registou um aumento de inscrições femininas e de leigos. Objetivo é dotar os participantes de bases de Teologia missionária.

O "rosto" dos participantes no Curso de Missiologia, que se iniciou esta segunda-feira, no Seminário dos Missionários da Consolata, em Fátima, «é cada vez mais feminino, multicultural e laical», disse à FÁTIMA MISSIONÁRIA o coordenador da ação de formação, padre Albino Brás. Dos 68 inscritos, 46 são mulheres e 38 são leigos. Até sábado, vão aprender ou reforçar os conhecimentos teológicos da missão, através de comunicações e testemunhos elaborados com base na Bíblia, história, espiritualidade e metodologia.

«Um dos problemas dos cristãos de hoje, por vezes, é o excesso de voluntarismo. Mas não basta ter vontade de ir para a missão, é necessário estar preparado e este curso dá uma formação genérica» para quem deseja participar nas atividades missionárias, seja como religioso, ou como leigo, explica Albino Brás. Neste sentido, entre os vários temas a desenvolver, estão exemplos concretos da prática missionária atual, relacionados com a inculturação e o diálogo inter-religioso.

Para o missionário da Consolata, só é pena continuar a verificar-se a ausência de padres diocesanos nesta atividade formativa, tendo em conta que a ação missionária faz cada vez mais sentido também na Europa. «A missão continua a ser o parente pobre da Igreja», lamenta Albino Brás, sublinhando a necessidade de ser lançado um desafio «sério» às dioceses, aos párocos e aos paroquianos para uma maior consciencialização da dimensão missionária.

«Se um sacerdote não tem bases para fazer animação missionária nas paróquias, dificilmente surgirão novas vocações», afirma Albino Brás, acrescentando que a Igreja «deve sentir-se mais responsável pela dimensão missionária» e ultrapassar a ideia de que esta área está entregue apenas aos institutos religiosos. O curso resulta de uma parceria entre os Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) e as Obras Missionárias Pontifícias.

Francisco Pedro in www.fatimamissionaria.pt